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terça-feira, 27 de agosto de 2013

84% conseguem quitar dívidas renegociando valor, aponta pesquisa SPC Brasil / CNDL

Até pouco tempo atrás, encarar um gerente de banco para tratar de dívidas era coisa para herói ou destemido. Pois uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) sobre o perfil dos bons e maus pagadores do Brasil concluiu que o brasileiro aprendeu a negociar condições melhores para o pagamento de dívidas com os bancos.
Segunda a pesquisa, que será divulgada nesta terça-feira (27) e foi antecipada ao blog, 8 em cada 10 inadimplentes conseguem quitar as dívidas renegociando seu valor – 84% dos entrevistados. O resultado aumenta quando os devedores pertencem às classes C, D e E, onde 86% deles conseguem chegar a uma solução com os bancos.

Mesmo negociando e acontecendo o acordo, o processo é considerado bem “difícil” pelos consumidores. Para quem deixa de pagar a conta para depois buscar uma solução, a negociação é mais complicada. Para quem assume antes de o caldo entornar que não vai dar conta do pagamento, a conversa com o banco melhora.

Esse quadro evidencia uma mudança de comportamento dos bancos na relação que têm com seus clientes. Depois do boom de crédito registrado no país entre 2010 e 2012, a população com mais acesso aos serviços financeiros cresceu e foi preciso uma adaptação. É claro que, se a inadimplência está alta, as instituições farão de tudo para recuperar o dinheiro. Mas tem um estímulo que ajuda muito: a concorrência.

Foi em abril do ano passado que entrou em vigor a chamada portabilidade das dívidas, ou seja, o direito de o cliente levar sua dívida de um banco para outro se ele encontrar juros e condições de pagamentos melhores. Na maioria das vezes, o consumidor consegue baixar os juros (mesmo que os do Brasil ainda sejam altos), trocando de modalidade de operação, e melhorar o prazo para o pagamento total do débito.

“Certamente a concorrência entre os bancos melhorou as condições para a renegociação das dívidas. Essa é uma mudança importante do comportamento do consumidor brasileiro”, destaca o economista do SPC, Flávio Borges.

A pesquisa do SPC e da CNDL ouviu 1.238 pessoas de todas as 27 capitais brasileiras entre os dias 24 de julho e 1º de agosto. O “desafio” do trabalho feito pelas instituições foi “investigar”o comportamento dos gastos e da vida financeira dos adimplentes e inadimplentes do país.

Bons e maus pagadores

O brasileiro é um bom pagador. O que sempre foi dito em prosa e samba é comprovado pelas pesquisas. Mais de 80% das pessoas conseguem pagar seus compromissos antes do prazo de 90 dias de atraso – que “suja” o nome na praça. Ao traçar o perfil daqueles com as contas em dia ou em atraso, o trabalho do SPC revelou que: “pertencer à classe C, ser autônomo, ter gastos fixos com aluguel e possuir baixa escolaridade são algumas das características dos consumidores inadimplentes”. Segundo a pesquisa, a classe C responde por quase a metade da parcela de devedores (47%). Esse comportamento se justifica principalmente depois que esse grande conjunto de brasileiros teve acesso a crédito mais fácil e mais barato, muitos estímulos ao consumo, principalmente do ano passado para cá.

Nos extremos, ou seja, nas classes A e D, é maior a parcela de pessoas que mantêm as contas em dia. Ser funcionário público e estar empregado há mais de 5 anos responde pelo perfil da maioria dos adimplentes. Até porque, nesses dois extremos, mais ainda na classe D, o pagamento à vista é uma opção muito escolhida pelo consumidor.

A pesquisa perguntou aos entrevistados: essa dívida poderia ter sido evitada?

Quase metade dos entrevistados disse que sim (46%). Para 66% dos inadimplentes, a frase “deveria ter controlado os impulsos e ter resistido mais”, foi a justificativa mais usada. Um terço dos participantes da pesquisa assumiu que se tivesse algum planejamento financeiro, controlando o orçamento, poderia ter escapado da dívida.

“A pesquisa mostra que as razões para inadimplência não são inesperadas e sim pela falta de organização pessoal, ou por impulso. Esse comportamento revela o quanto é importante a educação financeira. Principalmente para a classe C, que ainda está consolidando o hábito de lidar com tantas parcelas e crédito mais acessível”, disse ao G1 o economista Flávio Borges.

Sem sono
Para 64% dos inadimplentes, estar devendo não lhes tira o sono. Preocupa, mas não desespera. Essa tranquilidade não acomete os bons pagadores. Para 56% deles, entrar em débito lhe traria muita preocupação e pesadelos.

Quem está dormindo muito bem são os dirigentes dos bancos nacionais. Uma pesquisa feita pela Economatica aponta os bancos brasileiros como os mais rentáveis da América Latina e EUA. Banco do Brasil, Bradesco e Itaú ocupam as três primeiras posições.

PS: Para quem quiser ver a pesquisa completa do SPC e CNDL, pode acessar o site spcbrasil.org.br/imprensa/pesquisas a partir desta terça-feira (27).

Fonte: G1( adaptado)