Páginas

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Veja a repercussão da decisão do Copom de subir os juros para 7,5%


Economistas acreditam que alta não vai fazer efeito.
Entidades criticam uso dos juros como remédio para a alta dos preços.


Diante de um quadro de pressão inflacionária, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu subir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 7,5% ao ano, nesta quarta-feira (17). A avaliação de entidades da sociedade civil e analistas do mercado sobre a decisão não foi unânime.

No mercado, a avaliação é de que a decisão não vai suritr efeito -- e poderia ter sido maior. Já as entidades criticam o uso dos juros como remédio para a alta dos preços.

Até então, a Selic estava fixada em 7,25% ao ano, o menor nível da história e não subia desde 2011.
José Kobori , professor de finanças do Ibmec e estrategista da JK Capital
"Não vai fazer efeito não. Se analisar tecnicamente, a alta já devia ter ocorrido porque o BC está atrasado em realçao ao combate à inflação. O governo acreditou que as medidas um pouco heterodoxas iam surtir efeito: tentar controlar inflação mexendo na cesta básica, tarifa de energia. Mas se mostraram inficazes. Não são medidas cosméticas que vão controlar a inflação.”

Manuel Enriquez Garcia, presidente do Conselho Regional de Economia de são Paulo (Corecon –SP) e da Ordem dos Economistas de São Paulo
“Certamente o BC deu uma olhada na trajetória da inflação, acumulada em 6,59% nos 12 meses fechados em março, e também que prestou muita atenção nas declarações da presidente, que recomendava que o aumento fosse baixo. A alta foi um sinal relativamente fraco porque, se estivesse muito preocupado, o BC aumentaria em 0,5 ponto. No entanto, é uma sinalização de que está atento e dizendo 'vou olhar melhor a trajetória para tomar decisões mais firmes, mais contundentes, mas estou atento'.”

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV)
“Achei a decisão bastante tímida. Acho que parece claro que a inflação está em nível alto e não é meia dúzia de preços, o que é um mau sinal. Também acho que esse 0,25 não vai recuperar a credibilidade do BC, que o mercado vê como abalada em relação à falta de independência e de disposição de combater a alta da inflação. A alta não faz cócegas na inflação e aumenta ainda mais as dúvidas sobre a real disponibilidade de combater a inflação."

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Título Corretora
“Acho que foi boa (a decisão de subir os juros) tinha de ser feito, mas não vai resolver muito. Há muita incerteza no ar. Acho que foi correto fazer porque é uma sinalização boa de que estão se movendo no sentido de atuar contra esse cenário que pode negativo. A gente está falando em crescimento de 3%, a situação lá fora não está muito clara. Acho que havia quantidade razoável de pessoas que ainda apostava que só seria feito algo em maio.”

Confederação Nacional da Indústria (CNI)
"A CNI reconhece a importância do controle da inflação, mas lamenta que  ao elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual o Copom tenha optado pelo caminho de combate à alta inflacionária com maiores danos à atividade produtiva. O novo ciclo de alta dos juros iniciado nesta quarta-feira irá afetar a confiança do empresário e comprometer os investimentos, cuja elevação considera  essencial para reativar a economia."

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP e CIESP)
“Da mesma forma que ninguém quer o aumento da inflação, o Brasil não precisa de aumento de juros, mas de aumento de produção. O Brasil não pode abrir mão do controle da inflação, mas devemos superar a política econômica do uso exclusivo da taxa de juros. Claramente, aqueles que neste momento e com essa conjuntura econômica buscam restringir o debate à taxa de juros estão defendendo seus próprios interesses e não o desenvolvimento do Brasil."

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan)
"Tal decisão poderia ter sido evitada caso tivesse sido adotada uma política fiscal que aliviasse a pressão sobre os preços. Importante destacar, contudo, que a contribuição que pode ser dada pela política fiscal é necessária, mas não suficiente.”

Roque Pellizzaro Junior, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
"Apesar de o aumento na taxa básica de juros ter sido pequeno (0,25 pp), a decisão poderia ter sido postergada para o próximo mês, caso o governo adotasse medidas de austeridade para reduzir os gastos públicos. Aumentar os juros é um remédio que deve ser usado somente em último caso, porque tem efeitos colaterais amargos: reduz o consumo, diminui os investimentos e piora a situação das famílias endividadas. É um sinal de que o governo não quer fazer seu dever de casa."

Carlos Cordeiro, prsidente do Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
"A medida vem na contramão do crescimento do PIB com desenvolvimento econômico e social. O Banco Central errou ao engatar uma marcha ré no caminho da redução da Selic, pois essa decisão somente agrada aos rentistas e especuladores do mercado financeiro e não ajuda a estimular o crescimento, a expansão do crédito, o fortalecimento da produção e do consumo e a geração de empregos."

União Geral dos Trabalhadores (UGT)
"A decisão é mais uma demonstração da política econômica equivocada e uma tentativa de conter a inflação por decreto. Ao invés de promover o crescimento do País através do aumento da produtividade para atender o consumo em alta, vamos tentar consertar o avião em pleno voo."

Fonte: G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário