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quarta-feira, 26 de março de 2014

Regiões Norte e Sudeste lideram inadimplência em fevereiro, mostra SPC Brasil

Levantamento mostra também que moradores das regiões Sul e Norte são os que possuem em média mais dívidas atrasadas por pessoa física

No mês de fevereiro, o número de dívidas em atraso nas regiões Norte e Sudeste cresceu 1,30% e 1,08%, respectivamente, em relação a janeiro deste ano, segundo apurou o Indicador Mensal de Inadimplência do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Na avaliação da economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, o aumento é considerado expressivo se comparado com as outras regiões do país — Sul, Centro-Oeste e Nordeste —, que na mesma base de comparação, apresentaram respectivamente altas de 0,88%, 0,77% e 0,44%.






















Segundo especialistas da entidade, o aumento mais significativo do número de dívidas de moradores das regiões Norte e Sudeste está relacionado ao ritmo de atividade econômica mais fraca nessas áreas. De acordo dados divulgados pelo Banco Central, o PIB regional vem crescendo à taxa de 1,7% na região Norte e 1,3% na região Sudeste – ritmo bem inferior ao das demais regiões do país. “A inadimplência reflete, de certa forma, o aquecimento econômico da área a qual está atrelada e não necessariamente a renda per capta dos moradores dessas regiões”, explica Luiza.
Na comparação com fevereiro de 2013, a região Norte apresentou a maior alta no número de dívidas em atraso (6,75%), seguida pela região Nordeste (5,07%). A região Sul apresentou crescimento de 3,13%, o Centro-Oeste, 3,04% e a Sudeste, 2,18%.

Consumidores inadimplentes e número médio de dívidas

De acordo com o indicador, 40% das dívidas em atraso estão concentradas na região Sudeste, seguido pela região Nordeste (23,5%), Sul (14,4%), Norte (9,8%) e Centro-Oeste (8,13%). A justificativa, segundo os economistas do SPC Brasil é que como a região Sudeste detém a maior parte da população economicamente ativa, é natural que a região também concentra um maior número de dívidas atrasadas.

Em fevereiro de 2014, as regiões Sul e Norte apresentaram o maior número médio de dívidas em atraso por pessoa física inadimplente (2,28 dívidas). O Nordeste foi a região que apresentou a menor média (1,84 dívidas). O número médio no Brasil nesse mesmo mês foi de 2,04 dívidas por cada pessoa inadimplente.



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Cinco em cada dez empreendedores de serviços abriram a própria empresa sem qualquer experiência, mostra SPC Brasil

Levantamento realizado em todas as capitais revela que os empreendedores do setor de  serviços valorizam  mais  a experiência  de mercado do  que o conhecimento formal

Eles são persistentes, demonstram ter confiança em si mesmos, têm paixão pelo que fazem, não têm medo de ousar e avaliam que contam com boa experiência de mercado. A conclusão é de um estudo inédito realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que traça o perfil do empreendedor do setor de prestação de serviços, identificando práticas de gestão, dificuldades e perspectivas de investimento.



Movidos principalmente pelo sentimento de que possuem aptidão para o negócio, quase a metade (48%) dos empreendedores entrevistados iniciou a vida profissional no segmento de serviços sem ter tido qualquer experiência prévia no setor. Outros 29% já haviam trabalhado em alguma empresa do segmento e 20% começaram o negócio por influência familiar.



Na avaliação de Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL, o resultado revelado pelo estudo “demonstra a determinação e o destemor de quem entra na área sem medo de encarar o desconhecido, tanto que 79% desses empreendedores não contaram com o apoio de linhas de financiamento para o capital de giro e acabaram utilizando dinheiro do próprio bolso para abrir a empresa”.

Fonte: SPC Brasil

Além de revelar o perfil persistente desses empreendedores, a pesquisa mostra que ter experiência de mercado é um diferencial. Seis em cada dez (60%) prestadores de serviços entrevistados se consideram profissionais plenamente capacitados para exercer a função e dentre eles, 40% atribuem à experiência de mercado como a principal razão. Entre os entrevistados, 72% estudaram no máximo até o Ensino Médio. Vale destacar que apesar de boa parte dos entrevistados terem empreendido sem qualquer experiência anterior, 76% deles já possuem pelo menos mais de três anos de expertise no segmento.


“Para o empresário, a bagagem acumulada com os anos de negócio é o seu principal trunfo para se estabelecer no mercado. Por isso que ele tende a valorizar muito mais o dia a dia da profissão do que cursos e a capacitação formal”, explica Pellizzaro Junior.



Os atributos que os empreendedores consideram essenciais para o sucesso profissional são autoconfiança, em primeiro lugar com 64%, paixão com 21% e ousadia com 14%. Um exemplo que reforça a autoconfiança por parte desses empreendedores é o de que 92% deles se consideram empresários de sucesso e a maior parte (56%) relaciona o sucesso à recompensa financeira e ao fato de trabalhar com o que gosta.



Fonte: SPC Brasil
Uma das razões que explica o otimismo é que o empresário do setor de serviços tem uma renda média bruta maior do que o restante da população brasileira. Segundo dados apurados pela pesquisa, a renda mensal de um empresário de micro e pequeno porte do setor de serviços é de R$ 4.060,00 – 51,7% a mais do que um trabalhador comum. Já os empreendedores formais têm uma renda que chega a ser de quase 20% a mais que os informais (R$ 4.343,43 contra R$ 3.611,24).



“Com uma média salarial bastante acima dos demais brasileiros, talvez seja compreensível a alegação de que 43% dos empreendedores entrevistados não mudariam de emprego caso surgisse uma oportunidade em alguma área diferente da atual, conforme aponta a pesquisa”, afirma o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges.




O significado de ter um negócio


Quando indagados sobre qual expressão melhor define o fato de terem um empreendimento próprio, 38% responderam que significa ter liberdade e autonomia para fazer as coisas do seu próprio jeito, ao passo que para 24% dos entrevistados, ele é sinônimo de assumir responsabilidades.



E se tratando de compromissos, é grande a parcela dos empreendedores que não conseguem encontrar tempo para descansar. De acordo com a pesquisa, em alguns casos, a jornada de trabalho média diária de um empreendedor de serviços supera a de um trabalhador comum contratado em regime CLT. Dentre o universo de entrevistados, 56% afirmam que trabalham até nove horas por dia e 44% avaliam que trabalham mais de 10 horas – percentual que sobe para 49% entre os formais e cai para 35% entre os informais.



Fonte: SPC Brasil
Além de se dedicarem por uma extensa jornada de trabalho, períodos de férias não são garantias para esses empresários. A pesquisa indica que mais da metade (51%) dos pesquisados não tira férias e entre os que conseguem alguns dias de descanso, apenas 3% têm quatro semanas livres, como os trabalhadores assalariados convencionais. Dos que alegam não tirar férias, 40% justificam não ter ninguém de confiança para tocar o negócio em sua ausência e 33% alegam não encontrar tempo para a pausa.



Gestão e perspectivas



A pesquisa também procurou entender como o empreendedor de serviços faz a gestão do seu negócio. Quatro em cada dez (37%) entrevistados admitem não adotar qualquer tipo de gestão financeira, seja para controlar, analisar ou planejar o dinheiro acumulado com o negócio. O índice é ainda maior entre os que se encontram na situação de informalidade e atinge 52% dos casos. Já a prospecção de novos clientes é feita na maior parte das vezes (59%) por meio do famoso boca a boca, ou seja, pela indicação de clientes.
                                                                                         

                 Fonte: SPC Brasil


Para 33% dos entrevistados, a maior dificuldade para gerir o negócio é alta carga tributária. O problema é maior ainda para os formalizados (40%) do que para os informais (21%). Na avaliação de Flávio Borges, “apesar de o momento econômico vivido pelo Brasil proporcionar facilidades aos empreendedores, fomentando a criação de novas empresas, principalmente a partir da criação do MEI, o Microempreendedor Individual, a burocracia ainda impõe limites para o desenvolvimento do empresário, de modo geral”.



Embora 42% admitem desconhecer programas de financiamento para pequenas e médias empresas, os empresários se mostram otimistas quanto às perspectivas de investimento no próprio negócio para 2014. A maioria deles (57%) pretende fazer investimentos. O percentual sobre para 64% entre os formais, que detém uma maior capacidade de planejamento e de acesso no mercado, e cai para 48%, dentre os informais.



Entre os que vão investir, a prioridade são as áreas relacionadas á infraestrutura e que tendem a impulsionar o crescimento do negócio como um todo, como, por exemplo, a ampliação e melhoria de instalações (38%) e aquisição de máquinas e equipamentos (32%).



“O fato de eles estarem investindo na ampliação e na melhoria de suas instalações é uma demonstração das boas perspectivas do negócio e na capacidade de ampliar a presença no mercado. Os empresários do setor de serviços combinam ingredientes fundamentais para traçar um cenário otimista para o segmento: confiança em sua própria capacidade empreendedora e boas perspectivas de investimento no curto e médio prazos”, conclui Borges




Metodologia


A pesquisa do SPC Brasil ouviu 653 empreendedores formais e informais do setor de prestação de serviços nas 27 capitais brasileiras entre os dias 4 e 13 de novembro de 2013.


A alocação amostral para cada cidade foi proporcional ao tamanho da população economicamente ativa (PEA) e a margem de erro é de 3,8 pp.

Fonte: SPC Brasil